quarta-feira, 3 de junho de 2026

Conímbriga — Cidade Romana e Tesouro Arqueológico de Portugal

A cerca de 15 km de Coimbra, perto de Condeixa‑a‑Nova, Conímbriga remonta pelo menos à Idade do Ferro. O sufixo ‑briga indica origem celta, enquanto o radical coni pertence a época anterior, relacionada com a tribo dos Cónios, que foi desalojada pelos celtas até ao Algarve. Conímbriga estava estrategicamente situada num esporão triangular, defendido por dois vales profundos, e localizava‑se na estrada entre Olisipo (Lisboa) e Bracara Augusta (Braga).

No século II a.C., dá‑se a ocupação romana e a povoação transforma‑se numa cidade populosa e rica. No século III, a instabilidade provocada pelas invasões bárbaras levou à construção de uma muralha oriental, reduzindo a área urbana. No século V, Conímbriga foi atacada pelos suevos: em 464, entraram a traição e levaram como reféns a mulher e os filhos de Cântabro, chefe de uma das principais famílias; em 468, voltaram a pilhar e destruir parte das muralhas, matando e capturando muitos habitantes. Inicia‑se então a lenta decadência da cidade. No século VII, aquando da invasão muçulmana, Conímbriga era já uma povoação insignificante, que se despovoou até cair no esquecimento.

À entrada, vê‑se um troço de estrada romana com lajes de calcário. À direita, em níveis mais baixos, destaca‑se uma grande domus — a Casa dos Repuxos — com pátio interior e colunata, pavimentado com mosaicos policromos. No centro, um tanque com canteiros e um sistema de canalizações com 400 bocas permitia jogos de água. Segue‑se um vasto aposento com dupla função de sala de receções (oecus) e sala de jantar (triclinium). Junto à cabeceira, as lajes dispostas em V sustentavam os três leitos do triclínio, rodeados por um tanque em forma de U. Três orifícios correspondiam às bocas de ânforas embebidas na parede, que mantinham água para conservar peixes vivos. Sob os pavimentos, um complexo sistema de canalizações de alvenaria e chumbo.

Porta principal Entre dois torreões, uma passagem abobadada com duas portas distintas: a primeira, uma grade de ferro levadiça que corria em ranhuras ainda visíveis; a segunda, de dois batentes com gonzos reforçados em chumbo. A soleira mostra o desgaste das rodas dos carros. Entre as cinzas encontraram‑se ferragens da porta, testemunho dos ataques suevos de 468. Do lado direito, ao longo da muralha, uma rua ladeada por lojas (tabernae), passando sob o arco do aqueduto. No solo, uma série de orifícios protegidos por grades de ferro assinala a presença subterrânea de um grande coletor — a cloaca.

À esquerda da porta principal, uma grande domus pertencente à família de Cântabro, com fachada precedida por colunata e peristilo de mosaicos policromos. No tanque central foram encontrados cinco esqueletos, vítimas dos ataques suevos de 478. A casa inclui oecus, triclinium e termas primitivas: o tepidarium (sauna), o caldarium (banho quente) e o frigidarium (banho frio), com piscinas hexagonais. Sob o pavimento, o sistema de aquecimento (hipocausto) e canalizações de água. A sul, os restos de uma igreja paleocristã com capela‑mor retangular e duas caixas de pedra para relíquias.

Fora da muralha, há um conjunto de casas com belos mosaicos; numa delas, um compartimento assimétrico de função desconhecida. Junto à muralha, outro grupo de esqueletos de época tardia e, à entrada, várias tabernas. No interior, o fórum, renovado na época dos Flávios, media 100 × 50 m e era rodeado por um monumental pórtico. No lado norte, um templo sobre esplanada elevada, assente num criptopórtico. Junto às paredes, uma grande latrina pública; a norte, casas humildes (insulae); a sul, as termas públicas, com piscina de natação (natatio) e ginásio (palestra). Conímbriga era defendida por muralhas de 2 km e abastecida por um aqueduto de 3,5 km, que trazia água de Alcabideque, onde ainda se vê a Casa da Água.





Junto às ruínas, o Museu Monográfico de Conímbriga expõe objetos encontrados nas escavações.









 

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