quarta-feira, 25 de março de 2026

🕍 Mosteiro de Santa Maria de Almoster | Século XIII - Estilo gótico

 O Mosteiro de Santa Maria de Almoster, fundado no século XIII, é um exemplar marcante do gótico cisterciense. Segundo a tradição, teria sido fundado por D. Berengária Aires, dama de companhia da Rainha Santa Isabel, após o milagre em Casais dos Tejos.

Na realidade, foi a sua mãe, D. Sancha Pires, quem determinou em testamento que a filha fundasse um mosteiro na sua propriedade em Almoster. A fundação ocorreu em 1289, destinado à clausura de freiras bernardinas da Ordem de Cister.

O recinto, originalmente amplo e ricamente decorado, foi sendo alterado ao longo dos séculos, encontrando‑se hoje muito arruinado e desmembrado.

No século XVI, o mosteiro viveu um período de forte decadência moral: muitas religiosas, incluindo a abadessa e a prioresa, não assistiam aos ofícios divinos, não respeitavam o silêncio nem a clausura, recebiam amantes no convento e algumas chegaram a dar à luz na enfermaria. Outras estavam casadas e possuíam bens e propriedades.

Aqui foi obrigada a entrar D. Violante Gomes, conhecida como a Pelicana, por ter essa ave no brasão de família. Teve um filho com D. Manuel I, o futuro D. António, Prior do Crato. O Papa concedeu‑lhe dispensa dos ofícios divinos e permitiu que vivesse num apartamento com criadas.

A igreja foi restaurada no século XVIII, mas voltou a cair em grande decadência. Apesar de ser Monumento Nacional, muitas peças desapareceram: quadros, imagens, azulejos e elementos arquitetónicos.

A fachada destaca‑se pelo pórtico lateral gótico, com duas arquivoltas assentes em colunas e pilares de pedra. Na porta de madeira lê‑se a data 1686.

O interior apresenta três naves, com cinco tramos de arcos de ponta de lança sobre colunas robustas. A capela‑mor tem uma abóbada de cruzaria de ogivas. Todo o interior está revestido de azulejos seiscentistas, de padrão e tapete, em azul e amarelo.

O convento possui dois claustros:

  • o exterior, muito arruinado;

  • o interior, chamado Claustro da Rainha Santa, datado do início do século XIV.







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