A Igreja do Convento de Cristo compreende duas partes distintas que refletem séculos de arte e espiritualidade.
A Charola, datada do século XII, em estilo romano-bizantino, corresponde ao templo primitivo dos Cavaleiros Templários. De aspeto fortificado, apresenta uma estrutura poligonal de dezasseis lados, com um corpo central octogonal sustentado por oito colunas e coberto por uma cúpula, delimitando um deambulatório circular abobadado.
A nave, construída no século XVI em estilo manuelino, foi adossada à Charola, que passou a desempenhar o papel de capela-mor da igreja ampliada. Este corpo, de função ainda discutida, é frequentemente designado por Casa do Capítulo.
No lado sul da nave, destaca-se o magnífico portal manuelino de João de Castilho, com arcos lavrados em motivos manuelinos e renascentistas, apoiados em colunelos elegantes. Sobre o portal, um conjunto escultórico apresenta ao centro uma imagem da Virgem em estilo flamejante, enquadrada entre dois botaréus e rematada por um grande doselete abobadado, que confere profundidade à composição.
No topo, uma platibanda rendilhada exibe esferas armilares e cruzes de Cristo, enquanto as janelas profundas são separadas por botaréus decorados com exuberantes motivos naturalistas.
No lado oeste, encontra-se a célebre Janela Manuelina de Diogo de Arruda, verdadeira obra-prima do estilo manuelino e símbolo da cidade de Tomar. A decoração ascende a partir das raízes de um sobreiro apoiadas no busto de um homem barbado, desenvolvendo-se ao longo de mastros entrelaçados com uma profusão de motivos vegetais e marinhos — folhas, ramos, conchas, algas e cabos. No topo, surgem as armas régias, duas esferas armilares e, ao centro, a Cruz de Cristo.
O interior da Charola foi ricamente decorado no século XVI com pinturas e esculturas. Nas paredes, encontram-se pinturas sobre madeira de Jorge Afonso; nas capelas do deambulatório, obras de Gregório Lopes; e entre os pilares, esculturas de Olivier de Gand, formando um dos mais notáveis conjuntos de imaginária luso-flamenga.
A nave, também obra de Diogo de Arruda, apresenta uma abóbada de perfil baixo com arcos cruzeiros, torais, formeiros, liernes e terceletes, típica das abóbadas de cinco chaves. As nervuras partem de mísulas ricamente lavradas, desenhando grandes flores de quatro pétalas em cada tramo — um dos exemplos mais belos da arquitetura manuelina portuguesa.

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