quarta-feira, 31 de dezembro de 1969

Igreja da Nossa Senhora da Graça - Século XIV / XV

 





A Igreja de Nossa Senhora da Graça pertenceu ao antigo convento dos eremitas de Santo Agostinho, conhecidos como gracianos, fundado por D. João Afonso Teles de Menezes, Conde de Ourém.

É um dos mais perfeitos exemplares do gótico nacional, revelando forte influência do Mosteiro da Batalha. Na fachada destaca‑se um magnífico portal em gótico flamejante, com arquivoltas ogivais e reentrantes apoiadas em colunelos com capitéis, tudo enquadrado por um arco conopial.

O conjunto inscreve‑se num retângulo definido por filetes verticais ou alfiz, numa clara inspiração batalhina. De cada lado do portal erguem‑se dois contrafortes, reforçando a verticalidade da fachada.

No topo, domina uma grande rosácea, talhada numa única pedra, com um rendilhado flamejante de enorme delicadeza. É considerada por muitos a mais bela rosácea de Portugal.

O interior da Igreja de Nossa Senhora da Graça apresenta três naves e cinco tramos. Os pilares são cruciformes, com colunas adossadas, e os capitéis exibem uma decoração fortemente naturalista, onde surgem também alguns elementos antropomórficos.

As naves e o transepto possuem uma cobertura simples de madeira, contrastando com a monumentalidade da fachada. A cabeceira é reforçada no exterior por robustos contrafortes e é emblazonada, pois a estrutura compreende a capela‑mor e duas absidíolas de planta poligonal, todas cobertas por abóbadas de nervuras.

O conjunto é iluminado por altas frestas ogivais, que acentuam a verticalidade do espaço e criam um ambiente de luz filtrada típico do gótico tardio.

Na capela‑mor encontra‑se o túmulo dos fundadores, onde repousa D. João Afonso Teles de Menezes, Conde de Ourém, responsável pela fundação do convento dos eremitas de Santo Agostinho — os gracianos. E de sua mulher.
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Na Igreja de Nossa Senhora da Graça encontram‑se vários elementos funerários de grande importância histórica. Entre eles destaca‑se a campa rasa de Pedro Álvares Cabral, o navegador que descobriu o Brasil, e a campa rasa da sua mulher.


No mesmo espaço encontra‑se também a campa rasa de D. Leonor de Meneses, filha de D. Pedro de Meneses e mulher do 3.º Duque de Bragança, D. Fernando II. A presença desta sepultura reforça a ligação da igreja às grandes famílias nobres portuguesas dos séculos XIV e XV.


Outro elemento de grande destaque é o túmulo de D. Pedro de Meneses, figura central do século XV, conhecido como o primeiro Governador de Ceuta após a conquista de 1415. O seu túmulo, talhado com grande qualidade escultórica, apresenta as duas estátuas jacentes — a de D. Pedro de Meneses e a da sua mulher — num conjunto funerário de forte expressão gótica e grande valor artístico.

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