quarta-feira, 25 de março de 2026

🌊 Constância | Vila Poética na Confluência do Tejo e do Zêzere

 


A vila de Constância situa‑se na belíssima confluência dos rios Tejo e Zêzere, um ponto estratégico e pitoresco que marcou a sua história desde os primórdios. Até 1836, chamava‑se Punhete, nome que foi alterado por D. Maria II em reconhecimento ao apoio da população à causa liberal e também para eliminar o antigo topónimo, considerado impróprio e alvo de troça .

A elevação a vila ocorreu em 1571, por decisão de D. Sebastião, refletindo o desenvolvimento que a povoação já então apresentava .

Entre 1548 e 1550, Constância acolheu Luís de Camões, que aqui viveu em desterro. A tradição local afirma que o poeta não foi afastado por amores com Natércia, mas sim por questões ligadas à corte. Junto ao rio, ainda se identificam as ruínas da casa onde, segundo a memória popular, Camões teria vivido durante esse período .

A ligação do poeta à vila permanece viva no Jardim-Horto de Camões e na Casa-Memória de Camões, espaços que celebram a sua presença e a inspiração que aqui encontrou.

🏰 Castelo de Almourol | Fortaleza Templária no Tejo

 


O Castelo de Almourol, erguido sobre um afloramento granítico no meio do Tejo, é uma das fortificações militares mais belas e emblemáticas de Portugal. A pequena ilha onde se encontra mede cerca de 310 m x 75 m x 18 m, formando uma plataforma natural perfeita para defesa.

A ocupação do local é muito antiga: foram encontrados vestígios romanos, incluindo uma inscrição funerária reaproveitada na construção medieval. A fortificação atual foi reconstruída em 1171 por D. Gualdim Pais, Mestre da Ordem dos Templários, como indica a inscrição gravada sobre a porta de acesso.

As muralhas, reforçadas por 10 torreiões, delimitam um recinto interior compacto, no centro do qual se ergue a torre de menagem, com três pisos, destacando‑se acima da cortina defensiva. A posição elevada e isolada da ilha permitia controlar a navegação e proteger o vale do Tejo durante o período da Reconquista.

O conjunto, pela sua harmonia, localização e história templária, é considerado um dos monumentos militares mais belos do país.


⛪ Igreja de Santa Maria do Castelo | 1215

 A Igreja de Santa Maria do Castelo, situada dentro do Castelo de Abrantes, foi mandada edificar por D. Afonso II em 1215.

Destruída pelo sismo de 1429, foi reedificada entre 1433 e 1451 pelo alcaide‑mor D. Diogo Fernandes de Almeida, que a transformou no panteão da família Almeida.

O templo apresenta uma só nave, com teto de madeira, mantendo a simplicidade arquitetónica típica do gótico inicial. No interior destacam‑se os túmulos góticos e quinhentistas dos Almeidas, incluindo:

  • D. Diogo Fernandes de Almeida, refundador da igreja;

  • D. Lopo de Almeida, 1.º Conde de Abrantes;

  • D. João de Almeida, 2.º Conde de Abrantes;

  • Outros membros da linhagem, incluindo o 1.º Marquês de Abrantes.

À entrada encontram‑se azulejos hispano‑árabes de corda‑seca do século XVI, um dos elementos mais valiosos do conjunto.

Desde 1931, a igreja acolhe o Museu D. Lopo de Almeida, que ocupa a nave, o coro e a sacristia. O museu reúne:

  • materiais pré‑históricos recolhidos na região;

  • cerâmica romana comum e de construção;

  • escultura em pedra e madeira dos séculos XV a XVIII;

  • túmulos, armas, tecidos, paramentos e manuscritos;

  • curiosidades locais e peças provenientes de outros templos abrantinos.

A igreja é Monumento Nacional desde 1910.







🏰 Castelo de Abrantes | Origem Antiga e Panorama Único


 O Castelo de Abrantes é uma das fortificações mais antigas do Médio Tejo. O local apresenta vestígios pré‑históricos e romanos, indicando ocupação muito anterior ao castelo medieval. A sua posição dominante, no topo da colina, explica a importância estratégica que manteve ao longo dos séculos.

O castelo sofreu múltiplas alterações ao longo da Idade Média, especialmente nos reinados de D. Afonso III e D. Dinis, que reforçaram muralhas e ampliaram estruturas defensivas. A Torre de Menagem, construída no início do século XIV, no reinado de D. Dinis, é hoje considerada pequena para os padrões góticos, mas corresponde ao modelo românico reaproveitado, típico das fortificações mais antigas .

Do alto das muralhas, desfruta‑se um panorama vastíssimo sobre o Tejo, a cidade e toda a lezíria envolvente — uma das vistas mais impressionantes do Ribatejo. O castelo integra ainda a Igreja de Santa Maria do Castelo e as ruínas do antigo Paço dos Governadores, testemunhos da sua longa evolução histórica.

Abrantes

 


Abrantes situa‑se a cerca de 200 metros de altitude, numa posição estratégica dominante sobre o vale do Tejo. Esta localização elevada explica a sua importância militar ao longo dos séculos, reforçada pelo castelo e pela proximidade ao rio, que funcionava como via de comunicação e defesa natural.

A vila está ligada à margem esquerda do Tejo através da zona do Rossio ao Sul do Tejo, com ligação por ponte, o que facilitou a circulação de tropas e mercadorias. Foi daqui que partiram forças militares para a Batalha de Aljubarrota, em 1385, um dos momentos decisivos da independência portuguesa.

Em 1483, Abrantes foi palco da execução do Marquês de Montemor, envolvido na conspiração contra D. João II. Segundo a tradição, retiraram‑lhe a espada do condestável, as peças da armadura e a bandeira do título antes de ser decapitado. O realismo da encenação foi tal que, diz‑se, o sangue correu abundantemente. O Marquês de Montemor, pai, morreria depois de desgosto em Sevilha.

Durante as Invasões Francesas, em 1807, Abrantes foi tomada pelo general Junot, que aqui instalou o seu quartel‑general. Napoleão concedeu‑lhe o título de Duque de Abrantes , como recompensa pela rapidez com que ocupou a região . A vila sofreu requisições, alojamento forçado de tropas e forte pressão económica, como registam documentos da época.



S. Martinho - Século IV | Vida, Lenda e Tradição


 São Martinho de Tours nasceu na antiga Panónia (atual Hungria), por volta de 316–325, então território do Império Romano . Aos 15 anos, foi integrado na guarda imperial romana, seguindo a carreira militar do pai, que era tribuno.

Num dia frio e cinzento, a caminho de Amiens, encontrou um mendigo quase nu, a tremer de frio. Movido pela compaixão, cortou a sua capa ao meio e deu metade ao pobre. Nessa noite, segundo a tradição, Cristo apareceu‑lhe em sonho, usando a metade da capa que Martinho oferecera .

Na manhã seguinte, o céu abriu‑se e o sol brilhou — origem do que hoje chamamos Verão de São Martinho, quando em novembro surgem dias inesperadamente quentes .

Mais tarde, Martinho deixou o exército, tornou‑se monge e acabou por ser eleito Bispo de Tours, onde morreu em 397, em fama de santidade . Tornou‑se um dos santos mais populares do Ocidente: só em França existem mais de 4 000 igrejas dedicadas a São Martinho e mais de 500 localidades com o seu nome .

O seu culto espalhou‑se rapidamente por Portugal, onde o 11 de novembro passou a ser celebrado com o tradicional magusto: castanhas assadas, vinho novo e água‑pé. Em Espanha chama‑se “veranillo de San Martín” e em França “l’été de la Saint‑Martin”

⛪ Igreja Matriz | Século XVI |

 A Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, é um templo do século XVI, marcado por uma forte presença manuelina. A fachada é rematada por um corucheu de base poligonal, e destaca‑se o magnífico pórtico manuelino dos primeiros anos do século XVI, atribuído ao mestre Boytaca.

O portal é ladeado por duas torres gigantes, rematadas por pináculos, que rompem o frontão. Dois botaréus de cunho gótico, decorados com gárgulas, reforçam a imponência da fachada.

O interior mantém a traça manuelina dos inícios de Quinhentos, com três naves e cinco tramos de arcaria ogival, apoiados em robustos pilares formados por quatro colunas ornamentadas.

O arco triunfal, composto por várias arquivoltas — uma delas decorada com touros enroscados — conduz à capela‑mor, coberta por uma abóbada de nervuras. As paredes desta capela exibem um silhar de azulejos azuis e brancos do século XVIII, enquanto outros azulejos do tipo aresta revestem o altar e parte do trajeto litúrgico.