quarta-feira, 25 de março de 2026

🌊 Constância | Vila Poética na Confluência do Tejo e do Zêzere

 


A vila de Constância situa‑se na belíssima confluência dos rios Tejo e Zêzere, um ponto estratégico e pitoresco que marcou a sua história desde os primórdios. Até 1836, chamava‑se Punhete, nome que foi alterado por D. Maria II em reconhecimento ao apoio da população à causa liberal e também para eliminar o antigo topónimo, considerado impróprio e alvo de troça .

A elevação a vila ocorreu em 1571, por decisão de D. Sebastião, refletindo o desenvolvimento que a povoação já então apresentava .

Entre 1548 e 1550, Constância acolheu Luís de Camões, que aqui viveu em desterro. A tradição local afirma que o poeta não foi afastado por amores com Natércia, mas sim por questões ligadas à corte. Junto ao rio, ainda se identificam as ruínas da casa onde, segundo a memória popular, Camões teria vivido durante esse período .

A ligação do poeta à vila permanece viva no Jardim-Horto de Camões e na Casa-Memória de Camões, espaços que celebram a sua presença e a inspiração que aqui encontrou.

🏰 Castelo de Almourol | Fortaleza Templária no Tejo

 


O Castelo de Almourol, erguido sobre um afloramento granítico no meio do Tejo, é uma das fortificações militares mais belas e emblemáticas de Portugal. A pequena ilha onde se encontra mede cerca de 310 m x 75 m x 18 m, formando uma plataforma natural perfeita para defesa.

A ocupação do local é muito antiga: foram encontrados vestígios romanos, incluindo uma inscrição funerária reaproveitada na construção medieval. A fortificação atual foi reconstruída em 1171 por D. Gualdim Pais, Mestre da Ordem dos Templários, como indica a inscrição gravada sobre a porta de acesso.

As muralhas, reforçadas por 10 torreiões, delimitam um recinto interior compacto, no centro do qual se ergue a torre de menagem, com três pisos, destacando‑se acima da cortina defensiva. A posição elevada e isolada da ilha permitia controlar a navegação e proteger o vale do Tejo durante o período da Reconquista.

O conjunto, pela sua harmonia, localização e história templária, é considerado um dos monumentos militares mais belos do país.


⛪ Igreja de Santa Maria do Castelo | 1215

 A Igreja de Santa Maria do Castelo, situada dentro do Castelo de Abrantes, foi mandada edificar por D. Afonso II em 1215.

Destruída pelo sismo de 1429, foi reedificada entre 1433 e 1451 pelo alcaide‑mor D. Diogo Fernandes de Almeida, que a transformou no panteão da família Almeida.

O templo apresenta uma só nave, com teto de madeira, mantendo a simplicidade arquitetónica típica do gótico inicial. No interior destacam‑se os túmulos góticos e quinhentistas dos Almeidas, incluindo:

  • D. Diogo Fernandes de Almeida, refundador da igreja;

  • D. Lopo de Almeida, 1.º Conde de Abrantes;

  • D. João de Almeida, 2.º Conde de Abrantes;

  • Outros membros da linhagem, incluindo o 1.º Marquês de Abrantes.

À entrada encontram‑se azulejos hispano‑árabes de corda‑seca do século XVI, um dos elementos mais valiosos do conjunto.

Desde 1931, a igreja acolhe o Museu D. Lopo de Almeida, que ocupa a nave, o coro e a sacristia. O museu reúne:

  • materiais pré‑históricos recolhidos na região;

  • cerâmica romana comum e de construção;

  • escultura em pedra e madeira dos séculos XV a XVIII;

  • túmulos, armas, tecidos, paramentos e manuscritos;

  • curiosidades locais e peças provenientes de outros templos abrantinos.

A igreja é Monumento Nacional desde 1910.







🏰 Castelo de Abrantes | Origem Antiga e Panorama Único


 O Castelo de Abrantes é uma das fortificações mais antigas do Médio Tejo. O local apresenta vestígios pré‑históricos e romanos, indicando ocupação muito anterior ao castelo medieval. A sua posição dominante, no topo da colina, explica a importância estratégica que manteve ao longo dos séculos.

O castelo sofreu múltiplas alterações ao longo da Idade Média, especialmente nos reinados de D. Afonso III e D. Dinis, que reforçaram muralhas e ampliaram estruturas defensivas. A Torre de Menagem, construída no início do século XIV, no reinado de D. Dinis, é hoje considerada pequena para os padrões góticos, mas corresponde ao modelo românico reaproveitado, típico das fortificações mais antigas .

Do alto das muralhas, desfruta‑se um panorama vastíssimo sobre o Tejo, a cidade e toda a lezíria envolvente — uma das vistas mais impressionantes do Ribatejo. O castelo integra ainda a Igreja de Santa Maria do Castelo e as ruínas do antigo Paço dos Governadores, testemunhos da sua longa evolução histórica.

Abrantes

 


Abrantes situa‑se a cerca de 200 metros de altitude, numa posição estratégica dominante sobre o vale do Tejo. Esta localização elevada explica a sua importância militar ao longo dos séculos, reforçada pelo castelo e pela proximidade ao rio, que funcionava como via de comunicação e defesa natural.

A vila está ligada à margem esquerda do Tejo através da zona do Rossio ao Sul do Tejo, com ligação por ponte, o que facilitou a circulação de tropas e mercadorias. Foi daqui que partiram forças militares para a Batalha de Aljubarrota, em 1385, um dos momentos decisivos da independência portuguesa.

Em 1483, Abrantes foi palco da execução do Marquês de Montemor, envolvido na conspiração contra D. João II. Segundo a tradição, retiraram‑lhe a espada do condestável, as peças da armadura e a bandeira do título antes de ser decapitado. O realismo da encenação foi tal que, diz‑se, o sangue correu abundantemente. O Marquês de Montemor, pai, morreria depois de desgosto em Sevilha.

Durante as Invasões Francesas, em 1807, Abrantes foi tomada pelo general Junot, que aqui instalou o seu quartel‑general. Napoleão concedeu‑lhe o título de Duque de Abrantes , como recompensa pela rapidez com que ocupou a região . A vila sofreu requisições, alojamento forçado de tropas e forte pressão económica, como registam documentos da época.



S. Martinho - Século IV | Vida, Lenda e Tradição


 São Martinho de Tours nasceu na antiga Panónia (atual Hungria), por volta de 316–325, então território do Império Romano . Aos 15 anos, foi integrado na guarda imperial romana, seguindo a carreira militar do pai, que era tribuno.

Num dia frio e cinzento, a caminho de Amiens, encontrou um mendigo quase nu, a tremer de frio. Movido pela compaixão, cortou a sua capa ao meio e deu metade ao pobre. Nessa noite, segundo a tradição, Cristo apareceu‑lhe em sonho, usando a metade da capa que Martinho oferecera .

Na manhã seguinte, o céu abriu‑se e o sol brilhou — origem do que hoje chamamos Verão de São Martinho, quando em novembro surgem dias inesperadamente quentes .

Mais tarde, Martinho deixou o exército, tornou‑se monge e acabou por ser eleito Bispo de Tours, onde morreu em 397, em fama de santidade . Tornou‑se um dos santos mais populares do Ocidente: só em França existem mais de 4 000 igrejas dedicadas a São Martinho e mais de 500 localidades com o seu nome .

O seu culto espalhou‑se rapidamente por Portugal, onde o 11 de novembro passou a ser celebrado com o tradicional magusto: castanhas assadas, vinho novo e água‑pé. Em Espanha chama‑se “veranillo de San Martín” e em França “l’été de la Saint‑Martin”

⛪ Igreja Matriz | Século XVI |

 A Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, é um templo do século XVI, marcado por uma forte presença manuelina. A fachada é rematada por um corucheu de base poligonal, e destaca‑se o magnífico pórtico manuelino dos primeiros anos do século XVI, atribuído ao mestre Boytaca.

O portal é ladeado por duas torres gigantes, rematadas por pináculos, que rompem o frontão. Dois botaréus de cunho gótico, decorados com gárgulas, reforçam a imponência da fachada.

O interior mantém a traça manuelina dos inícios de Quinhentos, com três naves e cinco tramos de arcaria ogival, apoiados em robustos pilares formados por quatro colunas ornamentadas.

O arco triunfal, composto por várias arquivoltas — uma delas decorada com touros enroscados — conduz à capela‑mor, coberta por uma abóbada de nervuras. As paredes desta capela exibem um silhar de azulejos azuis e brancos do século XVIII, enquanto outros azulejos do tipo aresta revestem o altar e parte do trajeto litúrgico.







Golegã

 A Golegã é uma vila situada na planície da margem direita do rio Tejo, da qual dista cerca de 1 km. A sua localização privilegiada na lezíria ribatejana favoreceu desde cedo a agricultura, a criação de gado e as rotas de circulação entre norte e sul do país.

Aparece referenciada já no século XV como uma povoação de alguma importância, integrada nos caminhos que ligavam Lisboa ao interior e à fronteira. A fertilidade das terras e a proximidade ao Tejo contribuíram para o seu crescimento e para a fixação de quintas agrícolas e coudelarias, que marcaram profundamente a identidade da vila.


🕍 Mosteiro de Santa Maria de Almoster | Século XIII - Estilo gótico

 O Mosteiro de Santa Maria de Almoster, fundado no século XIII, é um exemplar marcante do gótico cisterciense. Segundo a tradição, teria sido fundado por D. Berengária Aires, dama de companhia da Rainha Santa Isabel, após o milagre em Casais dos Tejos.

Na realidade, foi a sua mãe, D. Sancha Pires, quem determinou em testamento que a filha fundasse um mosteiro na sua propriedade em Almoster. A fundação ocorreu em 1289, destinado à clausura de freiras bernardinas da Ordem de Cister.

O recinto, originalmente amplo e ricamente decorado, foi sendo alterado ao longo dos séculos, encontrando‑se hoje muito arruinado e desmembrado.

No século XVI, o mosteiro viveu um período de forte decadência moral: muitas religiosas, incluindo a abadessa e a prioresa, não assistiam aos ofícios divinos, não respeitavam o silêncio nem a clausura, recebiam amantes no convento e algumas chegaram a dar à luz na enfermaria. Outras estavam casadas e possuíam bens e propriedades.

Aqui foi obrigada a entrar D. Violante Gomes, conhecida como a Pelicana, por ter essa ave no brasão de família. Teve um filho com D. Manuel I, o futuro D. António, Prior do Crato. O Papa concedeu‑lhe dispensa dos ofícios divinos e permitiu que vivesse num apartamento com criadas.

A igreja foi restaurada no século XVIII, mas voltou a cair em grande decadência. Apesar de ser Monumento Nacional, muitas peças desapareceram: quadros, imagens, azulejos e elementos arquitetónicos.

A fachada destaca‑se pelo pórtico lateral gótico, com duas arquivoltas assentes em colunas e pilares de pedra. Na porta de madeira lê‑se a data 1686.

O interior apresenta três naves, com cinco tramos de arcos de ponta de lança sobre colunas robustas. A capela‑mor tem uma abóbada de cruzaria de ogivas. Todo o interior está revestido de azulejos seiscentistas, de padrão e tapete, em azul e amarelo.

O convento possui dois claustros:

  • o exterior, muito arruinado;

  • o interior, chamado Claustro da Rainha Santa, datado do início do século XIV.







Almoster

 Almoster é uma localidade situada na margem direita do Tejo, a cerca de 15 km de Santarém. Inserida numa paisagem rural marcada por campos agrícolas e pequenas elevações, mantém ainda hoje o caráter tranquilo e tradicional que define esta zona do Ribatejo.

🏛️ Casa dos Patudos

 


A Casa dos Patudos, projetada pelo arquiteto Raul Lino entre 1905 e 1909, é uma nobre edificação solarenga de traçado revivalista, marcada pela estética da “Casa Portuguesa”.

A fachada compõe‑se de dois corpos, sendo a ala poente emoldurada por uma ampla galeria formada por arcos de capitéis neorromânicos.

A casa pertenceu a José Relvas, figura central da Primeira República, Ministro das Finanças do Governo Provisório e responsável pela introdução do escudo em Portugal. Hoje transformada em museu, é um dos principais polos de romagem cultural do Ribatejo.

O seu vasto e eclético recheio, reunido ao longo de décadas, abrange diversas épocas e estilos, disposto com sobriedade e harmonia. As salas apresentam tetos decorados, silhares de azulejos e uma coleção notável composta por:

  • Tapeçarias portuguesas de Arraiolos — a maior coleção do país

  • Tapeçarias orientais

  • Azulejaria

  • Mobiliário

  • Porcelanas e faianças preciosas

  • Esculturas

  • Pintura portuguesa e estrangeira

Entre os pintores portugueses representados encontram‑se Francisco Henriques, Jorge Afonso, Domingos Sequeira, Silva Porto, Columbano, José Malhoa e Carlos Reis. Entre os estrangeiros, destacam‑se obras atribuídas a Zurbarán, Caravaggio e Delacroix.

🕍 Igreja Matriz de Alpiarça

 A Igreja Matriz de Alpiarça, edificada em 1889 e dedicada a Santo Eustáquio, é um templo amplo de uma só nave, com teto de estuque e sete capelas.

No interior, destacam‑se painéis em tela do século XVII e uma tela maneirista do século XVI, representando a aparição da Virgem.

Na sacristia conservam‑se ainda altares de talha dourada e imaginária do século XVIII, testemunhos artísticos de grande valor histórico.




Alpiarça

 


Alpiarça é uma vila situada na margem esquerda do Tejo, a cerca de 14 km de Santarém. É povoada desde a Antiguidade e surge referida em 1245, num documento do rei D. Dinis, como coutada real de caça.

Foi elevada a vila em 1906 e tornou‑se concelho em 1914, afirmando‑se desde então como um importante núcleo agrícola e cultural do Ribatejo.

🏰 Palácio dos Marqueses de Alorna


 O Palácio dos Marqueses de Alorna, em Almeirim, pertenceu à Condessa da Junqueira e apresenta duas fachadas oitocentistas, ornadas com brasões de heráldica familiar.

No jardim subsistem ensilhares de azulejos do século XVIII, em pintura azul e branca, figurando cenas campestres, episódios de caça e imagens da vida da corte — um testemunho artístico raro e valioso da estética setecentista portuguesa.

Igreja Matriz de Almeirim

 A Igreja Matriz de Almeirim é um edifício característico, embora bastante alterado ao longo dos séculos devido a diversas campanhas de renovação. A sua estrutura atual apresenta um interior de nave única, simples e amplo, onde se distribuem sete altares, testemunhando diferentes fases de intervenção artística e religiosa.

Apesar das modificações, a igreja mantém elementos que refletem a sua importância histórica e o papel central que desempenhou na vida religiosa da antiga vila realenga.


Almeirim — Realenga dos Séculos XV e XVI

 A atual cidade de Almeirim esconde, por trás da sua aparência moderna, a memória de uma das mais importantes estâncias de inverno da corte portuguesa nos séculos XV e XVI. A vila foi organizada como realenga após a sua fundação por D. João I, em 1411, que ali mandou construir o Paço Real, rodeado de coutadas de caça e jardins que atraíam a nobreza da Dinastia de Avis .

Situada na margem sul do Rio Tejo, em frente a Santarém e a apenas 7 km desta, Almeirim tornou‑se um dos centros políticos e sociais mais ativos do reino. Aqui realizaram‑se casamentos reais, como o de Carlos V com a infanta D. Isabel de Portugal, e o de Filipe II com a infanta D. Maria de Portugal. A vila acolheu ainda figuras marcantes da cultura e da aristocracia, incluindo a célebre Marquesa de Alorna, que aqui viveu parte da sua juventude .

Durante os séculos XV e XVI, Almeirim era tão frequentada pela corte que ficou conhecida como a “Sintra de Inverno”, sendo palco de decisões políticas, encontros diplomáticos, festas, caçadas e episódios que marcaram a história de Portugal.




Rio Tejo — Características, Curso e Geologia

 O Rio Tejo é o maior rio da Península Ibérica, com 1 090 km de comprimento. Nasce em Espanha, na Serra de Albarracín, a cerca de 1 800 metros de altitude, seguindo inicialmente uma direção este–oeste. Passa por cidades como Toledo e entra em Portugal, onde percorre 275 km, dos quais 49 km correspondem à fronteira entre os rios Erges e Sever.

Depois da Barquinha, o Tejo muda a sua direção para noroeste–sudeste, atravessando Santarém. A jusante de Vila Franca de Xira, o rio alarga-se num vasto estuário diante de Lisboa, antes de desaguar no Oceano Atlântico através de um estreito canal conhecido como Gargalo.

Entre os seus principais afluentes destacam-se:

  • Margem direita: Rio Zêzere

  • Margem esquerda: Rio Sorraia


Troços do Rio Tejo em território português

Podem distinguir-se dois troços principais:



1. Troço a montante da Barquinha

Corresponde a um vale estreito, profundamente encaixado nos planaltos do maciço antigo. Ao atravessar a Serra do Perdigão, o Tejo forma uma impressionante garganta com apenas 50 metros de largura, conhecida como Portas de Ródão.

A Serra do Perdigão, com direção noroeste–sudeste e cerca de 500 metros de altitude, é formada por uma dupla crista quartzítica. Estes quartzitos pertencem ao Silúrico e foram deformados pelos movimentos hercínicos no final do Paleozoico, há cerca de 280 milhões de anos.

Os quartzitos são rochas metamórficas constituídas essencialmente por grãos finos de quartzo fortemente cimentados. As cristas foram aplanadas e posteriormente expostas pela erosão diferencial, permitindo que o Rio Tejo esculpisse a garganta por epigénese.





Igreja do Santíssimo Milagre — Séculos XIV a XVII

 A Igreja do Santíssimo Milagre, originalmente conhecida como Igreja de São Estêvão, tem raízes que remontam ao século XIV e XVII. Foi neste local que, em 1266, ocorreu o famoso Milagre de Santarém, um dos mais importantes milagres eucarísticos da tradição cristã.

Segundo a narrativa, uma mulher, desesperada pela infertilidade do marido, procurou ajuda junto de uma bruxa. Esta aconselhou-a a ir à Igreja de Santo Estêvão e, fingindo comungar, levar para casa uma hóstia consagrada. A mulher seguiu as instruções, mas mal saiu da igreja, a hóstia começou a sangrar dentro do pano onde estava escondida.

Assustada, correu para casa e escondeu a hóstia dentro de um baú. Durante a noite, ela e o marido acordaram com a casa iluminada por uma luz intensa que saía do interior do baú. Perante tal fenómeno, o milagre tornou-se evidente.

A hóstia foi então levada em procissão de volta à Igreja de Santo Estêvão, que passou a chamar-se Igreja do Santíssimo Milagre. Ainda hoje, a hóstia milagrosa é preservada e exibida num relicário de cristal.

Todos os anos, no domingo de Pascoela, o domingo seguinte à Páscoa, celebra-se este acontecimento com grande devoção.




quarta-feira, 18 de março de 2026

Igreja de Marvila - século XII / XVI

 






Fundada pelos Templários depois da conquista de Santarém, em 1147, sofreu grandes alterações no século XV. Fachada com belo portal manuelino e interior de 3 naves com as paredes totalmente revestidas de belos azulejos do século XVII, dos melhores existentes no país. Alguém chamou a esta igreja de "Catedral do Azulejo", não só pela quantidade e qualidade dos azulejos mas sobretudo pela dinamização monumental criada no interior.

Torre das Cabaças

 

A Torre das Cabaças, situada mesmo ao lado da Igreja de São João de Alporão, eleva‑se a cerca de 22 metros de altura. Na parte superior vê‑se um sino sustentado por quatro varões de ferro, rodeado por oito vasilhas de barro, as famosas cabaças que deram nome à torre.


Segundo a tradição, o rei D. Manuel I, ao ver a torre — que considerou feia — mandou colocar à volta do sino as oito cabaças para simbolizarem as “cabeças loucas” dos responsáveis pela obra.


Em 1785, para permitir a passagem da carruagem de D. Maria I, ocorreu um grave erro: em vez de demolirem a Torre das Cabaças, como estava previsto, acabaram por destruir a torre românica da Igreja de São João de Alporão, um dos elementos mais antigos do templo.

Igreja de São João de Alporão e Túmulo de D. Duarte de Menezes


A Igreja de São João de Alporão, do século XIII, é uma construção raríssima pela associação de dois estilos. Assilharia românica inicial foi depois rematada com soluções ogivais, devido à longa duração das obras. Assim, uma igreja concebida em estilo românico acabou por ser concluída já em pleno gótico.


No seu interior encontra‑se o Museu Arqueológico de Santarém, onde se destaca o notável túmulo de D. Duarte de Menezes, do século XV, em estilo gótico. Filho bastardo de D. Pedro de Menezes, foi governador de Alcácer‑Ceguer, no Norte de África.




O túmulo está inserido num belo arco de óculo em gótico flamejante, ricamente lavrado, e apresenta uma arca com a estátua jacente do cavaleiro. A obra foi mandada fazer por sua mulher, D. Isabel de Castro, após a morte do marido em combate contra os mouros no Norte de África.  


Conta‑se que ela guardou a única relíquia que restou dele — um dente — que colocou num pequeno cofre de prata, hoje separado do túmulo.

Este magnífico túmulo esteve originalmente no Convento de São Francisco, onde, durante algum tempo, chegou a servir de bebedouro para cavalos, antes de ser recuperado e colocado na Igreja de São João de Alporão.

Portas do Sol


 As Portas do Sol são um vasto terreiro jardinado, cercado por muralhas. A poente encontra‑se a Porta de São Tiago, a única que se conserva intacta das antigas muralhas de Santarém.  


A nascente situam‑se as próprias Portas do Sol, hoje transformadas num dos miradouros mais emblemáticos da cidade.  


Daqui desfruta‑se um vastíssimo panorama sobre o amplo vale do Tejo — uma das vistas mais impressionantes do Ribatejo.

 No século VIII, em 715, Santarém é conquistada pelos muçulmanos, que passam a chamá‑la de Santarém.  

No século XII, em 1147, é reconquistada por D. Afonso Henriques.


No século XV, em 1491, dá‑se a morte trágica de D. Afonso, filho de D. João II e de D. Leonor. Era mês de julho. D. João II decidiu ir tomar banho ao rio e convidou o filho. Este recusou, alegando cansaço, mas depois arrependeu‑se e resolveu ir ter com o pai. Mandou aparelhar a mula em que costumava passear, mas encontraram-na já ensilhada com uma magnífica volta, rara e muito ligeira, pertencente ao seu escudeiro-mor. Sem querer esperar, montou o animal.


Chegado à margem do rio, encontrou o seu amigo D. João de Menezes e desafiou-o para um parelho. O animal, porém, tropeçou e caiu, ficando D. Afonso debaixo dele. Aterrorizado, D. João de Menezes correu em seu auxílio. O príncipe foi transportado num camaroeiro para uma cabana de pescadores, onde permaneceu inconsciente até morrer no dia seguinte.

À volta do moribundo juntaram-se o rei, a rainha e muitas outras pessoas. A consternação era enorme: os homens puxavam os cabelos e as barbas, as mulheres arranhavam o rosto até fazer sangue. D. Afonso tinha 16 anos. A sua mulher, D. Isabel, tinha 20. Tinham casado em Évora no ano anterior, em novembro de 1490.


No século XVI, em 1580, é aclamado rei, deliberadamente em Santarém, D. António, Prior do Crato. Junta-se ao povo. Um homem grita: “Sejamos hoje aqui todos doidos!” Um velho responde: “Haja quem queira!” E começa: “Todos nós o queremos!” Então o povo grita: “Real! Real!” — proclamando assim o rei de Portugal.

Santarém tem interesse turístico, apesar das grandes destruições do século XIX. Almeida Garrett, em Viagens na Minha Terra, escreveu: “Ah, Santarém! Abandonaram-te, mataram-te, e agora cospem no cadáver.”  


Apesar disso, Santarém possui um dos conjuntos de monumentos góticos mais importantes do país, datados entre os séculos XIII e XV.

Padrão de Santa Íria


 Construído por D. Dinis e restaurado no século XVIII, o Padrão de Santa Iria assinala o local onde, segundo a tradição, teria sido enterrada Santa Iria.

Ribatejo - Santarém

 Santarém, capital do distrito com o mesmo nome, situa‑se na margem norte do rio Tejo, na extremidade de um planalto a cerca de 100 metros de altitude. Fica aproximadamente 80 km de Lisboa, sendo uma das cidades mais antigas e historicamente ricas de Portugal.


🏛️ Uma cidade com raízes muito antigas

A povoação é antiquíssima.  

No tempo dos Romanos chamava‑se Scallabis, um importante centro administrativo e militar.


No século VII, já no período visigótico, o nome evoluiu para Santarém, associado à lenda de Santa Iria, uma das figuras religiosas mais marcantes da região.


✨ A Lenda de Santa Iria

Segundo a tradição, Santa Iria era uma jovem religiosa que vivia num mosteiro em Nabância (atual Tomar). Era admirada pela sua beleza e devoção.


A história conta que:


- Britaldo, filho do governador, apaixonou‑se por Iria.  

- Perante a recusa da jovem, caiu doente, mas recuperou graças à intercessão dela.  

- Dois anos depois, o monge Remígio, professor de Iria, também se apaixonou por ela.  

- Como Iria rejeitou as suas investidas, Remígio deu‑lhe uma bebida maligna que fez o seu ventre inchar, dando a falsa aparência de gravidez.  

- Britaldo acreditou na suposta desonra e, tomado pela fúria, mandou matar Iria.  

- O corpo foi lançado ao rio Nabão, que o levou até ao rio Tejo, descendo até Santarém, onde teria sido encontrado.


Esta lenda marcou profundamente a identidade religiosa e cultural da cidade.